Especialistas veem IA como essencial para enxugar volume de processos

O encontro IAJus 2026, promovido pelo CNJ em Brasília, reforçou que a adoção de inteligência artificial deixou de ser opcional para se tornar indispensável à sobrevivência do sistema judiciário brasileiro. O evento reuniu magistrados, advogados e especialistas que discutiram como a tecnologia pode ser compartilhada entre os tribunais para atender a mais de oitenta milhões de processos em tramitação.



O desembargador Luís Octávio Saboia Ribeiro apontou a desproporção entre a estrutura estatal – apenas dezoito mil juízes – e a demanda social, que ultrapassa a população do país. Ele concluiu que a tecnologia não é mais uma conveniência, mas um requisito para manter o funcionamento da Justiça.



O ministro Alexandre Agra Belmonte do TST alertou que as cortes lidam com acervos gigantescos e que a automação é essencial para otimizar julgamentos e agrupar temas repetitivos. “Sem intervenção, simplesmente enxugaríamos gelo”, afirmou.



A ministra Daniela Teixeira do STJ relatou que seu gabinete enfrenta milhares de novos casos diariamente. A combinação de triagem automatizada com juízes auxiliares permitiu reduzir o acervo de sua sessão em mais de 25 % em seis meses, algo inatingível sem o apoio da IA.



Juíza Luciana Dória de Medeiros, auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça, destacou que a litigiosidade cresce em velocidade alarmante, exigindo a unificação de ferramentas de automação já existentes para reduzir o tempo morto de tramitação e garantir respostas em prazos razoáveis.



O ministro Afrânio Vilela do STJ enfatizou que o Judiciário não lida com 80 milhões de conflitos distintos, mas com milhões de ações idênticas. A IA é vital para identificar repetições e permitir a aplicação de decisões padronizadas, liberando o pensamento humano para casos mais complexos.



O promotor Rodrigo Foganholo Maurício do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios observou que a tecnologia funciona como mecanismo de nivelamento e ampliação do acesso à Justiça. Ele destacou que a sociedade prefere decisões construídas por algoritmos em metade do tempo do que esperar indefinidamente pelo modelo tradicional.



Apesar do consenso sobre a necessidade de inovação, o encontro também abordou limites éticos e riscos de dependência excessiva das máquinas. O professor Lenio Streck alertou para a “promptocracia”, em que a fundamentação jurídica seria delegada à máquina, gerando textos irreais e inviabilizando o uso sem supervisão humana rigorosa.



O debate concluiu que a decisão final deve permanecer sob responsabilidade humana, enquanto a IA oferece ferramentas de triagem, análise de padrões e otimização de processos, contribuindo para a celeridade e eficiência da Justiça.



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Especialistas veem IA como essencial para enxugar volume de processos
Rannyelly Alencar Paiva 27 de abril de 2026
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